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TÁ NA RUA EM MEMÓRIAS
Fragmentos. Lembranças, esboços, apontamentos. Lapsos.Versões.
O Tá Na Rua abre o seu baú de memórias, revelando momentos marcantes da vida brasileira e mundial das últimas décadas. Como numa trouxa de retalhos, o espetáculo apresenta um panorama de acontecimentos variados que vão desde o desfile da Beija Flor em 1989 - o dos mendigos no abre-alas e o Cristo censurado - até o assassinato do presidente chileno Salvador Allende em 11 de setembro de 1973. Em outros momentos , entram em cena personagens como o poeta Federico García Lorca e o cantor Vicente Celestino, numa homenagens a estes e outros artistas que marcaram a história com suas criações e trajetórias de vida.
A encenação se desenvolve através um jogo que envolve atores e público: a ordem das cenas é definida através de um “sorteio” onde a platéia vai retirando de uma cartola os fragmentos de “Memórias” que serão apresentados. Esta dinâmica torna cada espetáculo um acontecimento único, aberto à improvisação e ao acaso, onde o imprevisível é altamente desejável. Desta maneira Tá Na Rua em Memórias dialoga com diversas formas espetaculares de tradição popular, como o teatro de revista, o circo-teatro e os números de variedades.
Tá na Rua em Memórias amplia e aprofunda as investigações do grupo Tá Na Rua sobre o desenvolvimento de uma dramaturgia para os espaços abertos. Avança em um caminho já esboçado no espetáculo anterior, Dar Não dói, o que Dói é Resistir, elaborando sua dramaturgia a partir de fatos reais, acontecimentos históricos, políticos, culturais e sociais que repercutem na memória e no imaginário coletivo. Por outro lado, rompe com uma linha cronológica de apresentação dos acontecimentos, optando por uma estrutura não-linear onde cada fragmento contém o todo em si mesmo.
O que unifica e sintetiza o espetáculo Tá Na Rua em Memórias é o pensamento e a linguagem teatral desenvolvida pelo grupo Tá Na Rua em seus 27 anos de atividades. Em comum, os fragmentos desenvolvem os temas da liberdade, da esperança e das possibilidades criativas do ser humano, mesmo diante das mais diversas formas de opressão. Ao abrir seu baú de memórias nas ruas e nas praças, o Tá Na Rua faz do passado a sua matéria presente para a construção de um outro futuro. |