Dramatização da Narrativa

Uma das especialidades do grupo é a dramatização de narrativas das mais variadas espécies;  músicas, piadas, crônicas, contos e cordéis.

É, portanto, com satisfação, que vemos esse gênero se expandindo no cenário teatral brasileiro.

Entre as diversas narrativas dramatizadas pelo grupo, destacamos:

 Febeapá Revisitado

O grupo Tá Na Rua revisita a obra de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, através de uma relação de suas mais significativas crônicas em que, de forma crítica, mordaz e com muito humor Stanislaw nos revela os costumes da sociedade carioca. Nelas descobrimos um Rio de Janeiro despedindo-se de seu romantismo e espirituosidade para ingressar no caos da MODERNA-IDADE. Vemos o país sendo gradativamente engolido pelas trevas de mais um período ditatorial, período este que veio acelerar as condições históricas que fariam germinar o FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País. Dramatizar Sérgio Porto é retomar contato com esse mundo tão próximo ainda, aparentemente tão distante. Teatralizar sua narrativa é permitir que esse mundo aflore; é possibilitar uma leitura coletiva, rica de informações e que nos oferece uma visão exata das mudanças radicais por que tem passado nossa sociedade, recentemente.

 Contos Populares

Teatro é a arte de contar estórias através da representação. E há estórias que permanecem no imaginário coletivo de um povo, fazendo parte de sua bagagem cultural, de sua origens, de suas tradições - são os contos populares, os causos, os cordéis, os cantares.

Em todos os tempos, vários foram os autores que lançaram mão dessas fontes, recriando-as de acordo com as necessidades e a visão de mundo de seu tempo e a sua própria, em particular, de modo a dar-lhes um sentido mais amplo e universal.

É na pretensão de trabalhar diretamente sobre esse material popular, tão generosamente abundante no imaginário de nosso povo, procurando despertar o interesse sobre essas estórias anônimas, que o Tá Na Rua elabora esses espetáculos, mantendo a estrutura original dos contos, em sua forma narrativa, teatralizando as imagens nele contidas.

A presença de um narrador, além de possibilitar o desenvolvimento da ação, ajuda a estabelecer uma ponte de contato vivo entre atores e público, equilibrando as relações entre os acontecimentos da roda e a ação que em seu centro de desenrola. 
 
 Auto de Natal

Consta da teatralização do poema Meu Caro Jumento, de Patativa do Assaré.

Em sua linguagem simples, falando do jumento, que carregou Maria e Jesus na fuga para o Egito e de como ele, da mesma forma que o trabalhador, é maltratado e abandonado por aqueles que o exploram e deveriam amá-lo, Patativa cria em seu poema, um verdadeiro Auto de Natal, sintetizando todos os conteúdos da festa natalina, permitindo ao grupo falar do amor, da generosidade, da esperança e do renascimento que nela se fazem presentes.

 
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