História

O Tá Na Rua conta histórias. Narra histórias. Histórias que  pertencem ao  povo. Histórias que são por ele conhecidas. Histórias onde ele é o protagonista. A isto chamam teatro épico (Iná Camargo é uma boa leitura sobre o assunto) porque conta a história do povo. Para podermos contar bem qualquer história, precisamos de um coletivo, de um coro. Quem conta a história é o coro. De vez em quando, do coro, salta um protagonista, as vezes junto com ele, o antagonista. Mas, logo que entendemos que o público já leu a imagem, eles retornam ao coro. Ao que chamam de improvisações, chamamos de produção de imagens. Uma idéia, uma ação, atinge o imaginário, o inconsciente. Procuramos transformar em imagens inteligíveis, em signos - esta é a força da nossa linguagem ( ver O que é Semiótica). O ator é um comunicador social, o teatro é uma mídia (já funcionou na idade média e renascimento como a televisão de hoje, acredite se quiser!) Evitamos usar a estrutura de diálogos dramáticos porque ela foi criada para o palco à italiana, onde é possível criar mistérios e ilusionismo como a "quarta parede". Por isto temos sempre a figura do narrador (você pode ler artigo de Walter Benjamim que trata do narrador). Como contamos histórias populares tentamos nos aproximar das estruturas de sistemas de manifestações espetaculares da cultura popular como o futebol, o carnaval e as culturas religiosas e, através das analogias explicativas, tentamos fazer o nosso teatro popular ao qual na verdade chamamos de liturgia carnavalizada - uma espécie de celebração pagã sobre um tema que interesse à Comunidade.

A peça DND agora faz parte do repertório do grupo. Ela será apresentada no Encontro Nacional de Teatro de Rua de Angra dos Reis, de 13 a 18 de março e no Festival de Teatro do Nordeste de 27 a 31 de março em Fortaleza. Em maio, participará do Encontro Latino-americano de Teatro de Grupo, em São Paulo.

De qualquer forma, cuidado para não estudar o roteiro que mandei para você com o mesmo olhar que dedicaria a um texto dramático convencional. Lembre-se: trabalhamos em espaços abertos e não temos nenhum compromisso com os conceitos da semiologia teatral naturalista européia. Pense em dança, futebol, religião, festa, ritual e principalmente, jogo (leia Homo Ludens, do Huizinga, é bem interessante). Nunca pense em teatro! Você pode ter conceitos e pré-conceitos sobre esta arte e informações diversas o que pode levar você a alguns equívocos de conclusões baseadas em acepções não-aplicáveis ao teatro de rua.

 
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